Realizada em Fortaleza, essa é a primeira reunião ordinária e extraordinária de 2025

O professor Assis Filho, cientista chefe de recursos hídricos do estado cearense, marcou presença no Fórum Cearense de Comitês de Bacias do Ceará. Na ocasião, o também Diretor do Centro Estratégico de Excelência em Políticas de Águas e Secas (CEPAS), da Universidade Federal do Ceará (UFC), apresentou dois projetos que estão em execução. São eles: Planos de Recursos Hídricos das Regiões Hidrográficas do Ceará (PRH) e Planos de Gestão Proativa de Secas.

Os dois projetos são desenvolvidos e coordenados pelo Programa Cientista Chefe: Recursos Hídricos, via Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (COGERH). O financiamento é realizado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP), com o apoio da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH).

Os PRH definem a agenda de recursos hídricos, incluindo informações sobre ações de gestão, projetos, programas e investimentos prioritários. São planos de longo prazo, com horizonte de planejamento compatível com o período de implantação de seus programas e projetos. No total, 11 das 12 regiões finalizaram esses documentos

Já os Planos de Gestão Proativa de Secas buscam criar, a curto prazo, instrumentos para diminuir os impactos das secas. São consideradas demandas e ofertas existentes em cada contexto regional para definir ações capazes de mitigar o impacto das secas na segurança hídrica do Estado do Ceará. O projeto trabalha em acordo com os processos e espaços de participação social estabelecidos na alocação negociada de água já existentes, agregando os Comitês de Bacia e as Comissões Gestoras.

“O financiamento dos Planos de Secas foi com apoio do governador Elmano, que teve uma reunião com o setor de recursos hídricos e aprovou todo o recurso com o Tesouro do Estado, transferido para a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP)”, afirma Assis.

Além dos seis planos já finalizados e aprovados (Patu, Fogareiro-Quixeramobim, Tejuçuoca, Jaburu I, Carnaubal e Missi), outros quatro planos foram recentemente aprovados pelos Comitês de Bacia (Catu/Catucizenta, Acarape do Meio, Trussu, Riacho do Sangue, Angicos).

Os outros hidrossistemas estão em fase de finalização e aguardam aprovação.

Seca em Jogo 

Durante o Fórum também foi abordada a metodologia inovadora construída para melhorar o entendimento das equipes envolvidas no projeto Plano de Gestão Proativa de Secas: o “Seca em Jogo”.

“A gente começou a entender que esse jogo poderia ir além do que a gente já estava fazendo junto com as Comissões Gestoras”, pontuou Daniel Cid, pesquisador da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Ele foi responsável por coordenar as equipes, junto à professora Daniele Costa, e participou das oficinas para a elaboração de Planos de Gestão Proativa de Secas para Hidrossistemas do Ceará.

O pesquisador ainda expressa a ideia de estender o jogo às escolas do estado, mediante o projeto “SRH nas escolas”. Ele explica que resolveu apresentar a dinâmica na reunião, como forma estratégica de ampliar a produção e entrega do jogo para as escolas, sendo uma ferramenta de educação ambiental.

O “Seca em Jogo” é um projeto cearense desenvolvido no âmbito do Programa Cientista Chefe: Recursos Hídricos, iniciativa financiada pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP). O jogo é fruto de um esforço conjunto entre o Centro Estratégico de Excelência em Políticas de Águas e Secas (CEPAS) da Universidade Federal do Ceará (UFC), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (COGERH), contando ainda com o apoio da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) e do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD), do governo francês.

Criado e aplicado como recurso na construção dos Planos de Gestão Proativa de Secas em Hidrossistemas, o trabalha com uma simulação. OI objetivo é que os jogadores discutam estratégias para um plano de gestão coletiva de um reservatório de uso comum eficiente, utilizando as cartas disponíveis. São considerados elementos hidrológicos e aspectos sociais durante a partida, favorecendo uma maior compreensão dos processos envolvidos na elaboração e execução dos planos.

O instrumento metodológico foi finalista da 8ª edição do Prêmio ANA (2023), que tem o objetivo de reconhecer o mérito de iniciativas que contribuam para a promoção da segurança hídrica e desenvolvimento sustentável do Brasil.

Originalmente em: https://portal.cogerh.com.br/forum-cearense-de-comites-de-bacia-aprova-novo-regimento-interno-veja-mudancas/