A seca é uma característica natural do semiárido cearense e, ao longo da história, tem influenciado a organização social, econômica e ambiental da região. Embora o Ceará tenha desenvolvido importantes estratégias de convivência com a escassez hídrica, o fenômeno continua exigindo planejamento permanente para reduzir vulnerabilidades e fortalecer a gestão dos recursos hídricos.
Historicamente, as respostas à seca foram predominantemente reativas e emergenciais, implementadas após a ocorrência de seus impactos. Nos vales perenizados, essa situação é agravada pela complexidade da gestão da água, envolvendo múltiplos reservatórios, usuários e conflitos de uso. Diante desse cenário, torna-se necessário planejar ações antecipadas que permitam reduzir os impactos das secas e aumentar a capacidade de resposta dos territórios.
Frente a isso, o Programa Cientista Chefe em Recursos Hídricos da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FUNCAP, em parceria com o CEPAS/UFC e a Cogerh, idealizou os Planos de Gestão Proativa de Secas, os quais visam romper com o caráter reativo e desenhar processos participativos de planejamento para as secas com o envolvimento dos Comitês de Bacia Hidrográfica, das Comissões Gestoras de Reservatórios, das Comissões de Operação dos Vales, das Gerências Regionais da Cogerh e das universidades. Com isso, busca-se definir um conjunto de ações para os distintos momentos da seca, antecipando-se aos seus efeitos.
O projeto tem como objetivo elaborar Planos de Gestão Proativa de Seca dos Hidrossistemas e Vales Perenizados do estado do Ceará, proporcionando inovação de métodos, técnicas e instrumentos de trabalho e de estrutura organizacional para a promoção da Política de Gestão Proativa de Secas no Ceará.
Quem financia?
O projeto é financiado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), em parceria com a Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH) e a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh).
Quem participa?
Diversos atores sociais compõem o projeto, desde as equipes interdisciplinares de elaboração, os gestores da política de recursos hídricos do Ceará e os colegiados de participação social, ou seja, Comitês de Bacia Hidrográfica, Comissões Gestoras de Reservatórios e Comissões de Operação dos Vales Perenizados.
Atualmente está sendo elaborado o diagnóstico do Vale do Acaraú.
Está sendo desenvolvida a metodologia de modelagem e as etapas de elaboração do Plano do Jaguaribe-Metropolitanas.
A principal contribuição do projeto é fortalecer uma gestão proativa das secas no Ceará, rompendo com a perspectiva histórica de tratar a seca como um evento excepcional que demanda apenas respostas emergenciais. Por meio do planejamento antecipado, da identificação de vulnerabilidades, impactos e conflitos relacionados à seca, e da definição de ações para diferentes estados de seca, o projeto amplia a capacidade de preparação e resposta dos territórios, contribuindo para uma convivência mais resiliente com esse fenômeno característico do semiárido.
Ao antecipar os efeitos da seca e promover o planejamento participativo, os Planos de Gestão Proativa de Secas fortalecem a resiliência dos territórios, reduzem impactos e contribuem para a convivência sustentável com o semiárido.
Centro Estratégico de Excelência em Políticas de Águas e Secas da Universidade Federal do Ceará. Pesquisa, inovação e gestão para a convivência sustentável com o semiárido.