{"id":1393,"date":"2024-04-27T14:27:00","date_gmt":"2024-04-27T14:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cepas.ufc.br\/?p=1393"},"modified":"2025-02-27T14:57:37","modified_gmt":"2025-02-27T14:57:37","slug":"entenda-por-que-ceara-quase-atingiu-limite-do-numero-de-acudes-e-se-e-possivel-barragem-em-fortaleza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cepas.ufc.br\/pt_br\/entenda-por-que-ceara-quase-atingiu-limite-do-numero-de-acudes-e-se-e-possivel-barragem-em-fortaleza\/","title":{"rendered":"Entenda por que Cear\u00e1 quase atingiu limite do n\u00famero de a\u00e7udes e se \u00e9 poss\u00edvel barragem em Fortaleza"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"\">Cientista-Chefe de Recursos H\u00eddricos analisa possibilidades para o futuro do abastecimento no Estado<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cepas.ufc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cogerh.jpeg?resize=800%2C450&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-1394\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cepas.ufc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cogerh.jpeg?resize=1024%2C576&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/cepas.ufc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cogerh.jpeg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/cepas.ufc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cogerh.jpeg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cepas.ufc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cogerh.jpeg?w=1161&amp;ssl=1 1161w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"\">Garantir o futuro do abastecimento de \u00e1gua depende de a\u00e7\u00f5es planejadas hoje, principalmente pelo contexto de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e eventos extremos que o mundo atravessa. Uma das principais medidas utilizadas no Cear\u00e1 \u00e9 a reserva acumulada em a\u00e7udes, cujo primeiro exemplar foi&nbsp;<a href=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/ceara\/ceara-tem-pelo-menos-11-acudes-centenarios-mais-antigo-e-primeiro-do-brasil-tem-117-anos-1.3379229\">inaugurado h\u00e1 quase 120 anos<\/a>. Atualmente, por\u00e9m, a constru\u00e7\u00e3o de novas barragens j\u00e1 se aproximou do<strong>&nbsp;limite de um uso sustent\u00e1vel.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u00c9 o que pensa Francisco de Assis de Souza Filho, Cientista-Chefe de Recursos H\u00eddricos da Funda\u00e7\u00e3o Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (Funcap) e professor do Departamento de Engenharia Hidr\u00e1ulica da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC). Em conversa com o<em>&nbsp;Di\u00e1rio do Nordeste<\/em>, ele analisou a complexa rede hoje existente, composta por 157 a\u00e7udes monitorados pela Companhia de Gest\u00e3o dos Recursos H\u00eddricos (Cogerh).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Para o especialista, quando questionado se \u00e9 dif\u00edcil encontrar novas localidades para a implanta\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios, \u201ca gente tem como se fosse um limite superior do potencial a ser ativado\u201d. Com a previs\u00e3o de \u201cmais 5 ou 6 barragens\u201d no Estado &#8211; incluindo a&nbsp;<strong>Fronteiras<\/strong>, que est\u00e1 sendo constru\u00edda no sert\u00e3o de Crate\u00fas desde 2018 -, \u201ca gente chegou a ativar praticamente todo o potencial\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"\">Construir novas barragens significa, \u00e0s vezes, tirar \u00e1gua de uma que j\u00e1 existe. A gente j\u00e1 est\u00e1 chegando num ponto, aqui no Cear\u00e1, que voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o produz nova \u00e1gua: voc\u00ea s\u00f3 realoca espacialmente e, \u00e0s vezes, para um lugar menos eficiente do que aquele onde ela est\u00e1 sendo armazenada.<br><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"\">Hoje, esse limite est\u00e1 em torno de 100 m\u00b3\/s (metros c\u00fabicos por segundo), em vaz\u00e3o regularizada com<strong>&nbsp;90% de garantia&nbsp;<\/strong>&#8211; ou seja, em 90% do per\u00edodo analisado, o sistema \u00e9 capaz de atender \u00e0s demandas. Nesse modelo, falhas de atendimento devem ocorrer em 1 ano a cada 10 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">S\u00f3 estudos t\u00e9cnicos podem definir se uma nova interven\u00e7\u00e3o compensa, no contexto das bacias hidrogr\u00e1ficas onde ela pode ser inserida. Portanto, prospecta o cientista-chefe, \u00e9 preciso buscar novas fontes de abastecimento, seja atrav\u00e9s de transposi\u00e7\u00f5es de bacia, dessaliniza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do mar ou reuso da \u00e1gua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u201cCada gota de \u00e1gua que a popula\u00e7\u00e3o economiza \u00e9 uma gota de \u00e1gua que fica&nbsp;<strong>dispon\u00edvel para outro uso,<\/strong>&nbsp;para o crescimento da popula\u00e7\u00e3o ou para o uso produtivo. Essa a\u00e7\u00e3o de aumentar a efici\u00eancia \u00e9 importante, at\u00e9 como sendo uma possibilidade de a gente ampliar os usos, os benef\u00edcios econ\u00f4micos, associado a essa quest\u00e3o da \u00e1gua\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Para 2024, a Lei Or\u00e7ament\u00e1ria Anual (LOA) do Estado do Cear\u00e1 prev\u00ea recursos para a constru\u00e7\u00e3o de oito barragens:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"\">Boa Vista dos Parentes, entre Senador Pompeu e Quixeramobim<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Juc\u00e1, em Parambu<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Lontras, em Ipueiras<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Trairi<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Frecheirinha<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Po\u00e7o Comprido, em Santa Quit\u00e9ria<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Ber\u00ea, em Jardim<\/li>\n\n\n\n<li class=\"\">Oitis, em Mucambo<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A\u00e7ude em Fortaleza?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Em junho de 2017, foi inaugurada a&nbsp;<a href=\"http:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/editorias\/metro\/barragem-deve-reforcar-abastecimento-de-agua-1.1767323\">barragem do Rio Coc\u00f3<\/a>, em Fortaleza, cuja principal fun\u00e7\u00e3o \u00e9 reter o excedente de \u00e1gua nos per\u00edodos chuvosos e fazer o controle da vaz\u00e3o do rio para evitar alagamentos. A barragem tem capacidade m\u00e1xima de 6,4 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de \u00e1gua, que eventualmente pode&nbsp;<a href=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/metro\/agua-do-coco-sera-usada-para-abastecer-rmf-1.1949517\">servir a m\u00faltiplos usos<\/a>, incluindo abastecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Atualmente, a Capital \u00e9 assistida pelo complexo formado pelos a\u00e7udes Gavi\u00e3o, Riach\u00e3o, Pacoti e Pacajus. Com bons volumes, esse sistema d\u00e1 autonomia de abastecimento da Regi\u00e3o Metropolitana de Fortaleza sem a necessidade de transfer\u00eancia das&nbsp;<strong>\u00e1guas do a\u00e7ude Castanh\u00e3o,&nbsp;<\/strong>conforme a Secretaria dos Recursos H\u00eddricos (SRH).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Mas, se todo ano a Capital \u00e9 banhada por fortes chuvas durante toda a quadra, n\u00e3o seria mais vantajoso receber mais a\u00e7udes para aproveitar esse potencial? Segundo o cientista-chefe, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Assis ilustra:&nbsp; o munic\u00edpio de Fortaleza tem uma \u00e1rea de 315 km\u00b2. Quando o Castanh\u00e3o est\u00e1 cheio, a \u00e1rea do espelho d\u2019\u00e1gua chega a 300 km\u00b2. Ou seja, \u201ca nossa \u00e1rea aqui (em Fortaleza)&nbsp;<strong>n\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea t\u00e3o significativa<\/strong>&nbsp;para captar um volume de \u00e1gua muito grande\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/image\/contentid\/policy%3A1.3504010%3A1713810531\/Pacajus.jpeg?w=800&#038;ssl=1\" alt=\"\" style=\"width:768px;height:auto\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"\">Uma das possibilidades, indica ele, seria fomentar uma melhor gest\u00e3o de \u00e1guas urbanas, envolvendo os sistemas de drenagem urbana e de esgoto, a rede de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e a gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, de uma forma mais integrada, \u201cpara evitar a polui\u00e7\u00e3o dos nossos corpos d&#8217;\u00e1gua, mas tamb\u00e9m at\u00e9 ativar esse potencial, at\u00e9 utilizando \u00e1gua de chuva e cisternas urbanas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Contudo, segundo Assis, esse \u00e9 um modelo mais caro e nem responde a todas as demandas que a cidade tem. A busca por \u00e1guas subterr\u00e2neas tamb\u00e9m n\u00e3o daria conta dessa necessidade: \u201ca gente deixou aqui como sendo uma demanda mais estrat\u00e9gica, porque nosso aqu\u00edfero sedimentar \u00e9 relativamente pequeno. De forma complementar, ele pode suprir algumas localidades, mas fica mais como uma reserva estrat\u00e9gica\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Planos de Bacias<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"\">Atualmente, as reservas h\u00eddricas do Cear\u00e1 ultrapassaram a marca de&nbsp;<strong>54,4% da capacidade total&nbsp;<\/strong>do Estado, segundo o Portal Hidrol\u00f3gico. Essa \u00e9 a maior reserva armazenada desde outubro de 2012. O n\u00famero de a\u00e7udes sangrando simultaneamente tamb\u00e9m continua a aumentar, e j\u00e1 atingiu um total de 69 reservat\u00f3rios vertendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O volume total \u00e9 reflexo dos bons aportes nas bacias hidrogr\u00e1ficas do Estado. As regi\u00f5es do Acara\u00fa, Corea\u00fa, Litoral, Metropolitana, Serra da Ibiapaba, Salgado e Baixo Jaguaribe est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o \u201cmuito confort\u00e1vel\u201d, com volumes acima de 70%. J\u00e1 as regi\u00f5es do Curu e Alto Jaguaribe est\u00e3o na zona \u201cconfort\u00e1vel\u201d, com mais de 50% das reservas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"\">As regi\u00f5es do M\u00e9dio Jaguaribe e Banabui\u00fa seguem demandando aten\u00e7\u00e3o, com volumes 34,34% e 43,63%, respectivamente. Apenas a regi\u00e3o dos Sert\u00f5es de Crate\u00fas se mant\u00e9m em estado \u201ccr\u00edtico\u201d, abaixo dos 30% de volume.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"\">Para fornecer um diagn\u00f3stico completo, um progn\u00f3stico e um planejamento das a\u00e7\u00f5es a serem implementadas em cada uma das 12 regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas do Cear\u00e1, foram lan\u00e7ados os Planos de Recursos H\u00eddricos na \u00faltima semana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Segundo Jo\u00e3o L\u00facio Farias, diretor de planejamento da Companhia de Gest\u00e3o dos Recursos H\u00eddricos (Cogerh), os principais pontos priorit\u00e1rios em comum entre os planos s\u00e3o a\u00e7\u00f5es ambientais voltadas para a preserva\u00e7\u00e3o das bacias e<strong>&nbsp;a\u00e7\u00f5es de infraestrutura,&nbsp;<\/strong>como a constru\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios ou de adutoras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Sobre a regi\u00e3o de Crate\u00fas, principal afetada pela baixa reserva h\u00eddrica hoje, ele afirma que o Estado tem expectativas de melhorar a oferta de \u00e1gua por meio do a\u00e7ude Fronteiras, \u201cque vai duplicar o volume de \u00e1gua na bacia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Para o diretor,&nbsp;<a href=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/ceara\/30-cidades-do-ceara-foram-afetadas-pela-seca-todo-ano-desde-2013-veja-locais-1.3456364\">a \u00faltima seca (2012-2018)<\/a>&nbsp;permitiu a cria\u00e7\u00e3o de um grupo de acompanhamento e implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es para a conviv\u00eancia com a seca; a constru\u00e7\u00e3o de adutoras para melhorar a distribui\u00e7\u00e3o; a perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os para dar maior suporte aos munic\u00edpios; e a implementa\u00e7\u00e3o do projeto Malha D&#8217;\u00e1gua, que est\u00e1 na etapa de implementa\u00e7\u00e3o do Sistema Adutor Banabui\u00fa-Sert\u00e3o Central.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Originalmente em: <a href=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/ceara\/entenda-por-que-ceara-quase-atingiu-limite-do-numero-de-acudes-e-se-e-possivel-barragem-em-fortaleza-1.3503957\">https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/ceara\/entenda-por-que-ceara-quase-atingiu-limite-do-numero-de-acudes-e-se-e-possivel-barragem-em-fortaleza-1.3503957<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientista-Chefe de Recursos H\u00eddricos analisa possibilidades para o futuro do abastecimento no Estado Garantir o futuro do abastecimento de \u00e1gua depende de a\u00e7\u00f5es planejadas hoje, principalmente pelo contexto de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e eventos extremos que o mundo atravessa. Uma das principais medidas utilizadas no Cear\u00e1 \u00e9 a reserva acumulada em a\u00e7udes, cujo primeiro exemplar foi&nbsp;inaugurado h\u00e1 quase 120 anos. Atualmente, por\u00e9m, a constru\u00e7\u00e3o de novas barragens j\u00e1 se aproximou do&nbsp;limite de um uso sustent\u00e1vel. \u00c9 o que pensa Francisco de Assis de Souza Filho, Cientista-Chefe de Recursos H\u00eddricos da Funda\u00e7\u00e3o Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (Funcap) e professor do Departamento de Engenharia Hidr\u00e1ulica da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC). Em conversa com o&nbsp;Di\u00e1rio do Nordeste, ele analisou a complexa rede hoje existente, composta por 157 a\u00e7udes monitorados pela Companhia de Gest\u00e3o dos Recursos H\u00eddricos (Cogerh). Para o especialista, quando questionado se \u00e9 dif\u00edcil encontrar novas localidades para a implanta\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios, \u201ca gente tem como se fosse um limite superior do potencial a ser ativado\u201d. Com a previs\u00e3o de \u201cmais 5 ou 6 barragens\u201d no Estado &#8211; incluindo a&nbsp;Fronteiras, que est\u00e1 sendo constru\u00edda no sert\u00e3o de Crate\u00fas desde 2018 -, \u201ca gente chegou a ativar praticamente todo o potencial\u201d.&nbsp; Construir novas barragens significa, \u00e0s vezes, tirar \u00e1gua de uma que j\u00e1 existe. A gente j\u00e1 est\u00e1 chegando num ponto, aqui no Cear\u00e1, que voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o produz nova \u00e1gua: voc\u00ea s\u00f3 realoca espacialmente e, \u00e0s vezes, para um lugar menos eficiente do que aquele onde ela est\u00e1 sendo armazenada. Hoje, esse limite est\u00e1 em torno de 100 m\u00b3\/s (metros c\u00fabicos por segundo), em vaz\u00e3o regularizada com&nbsp;90% de garantia&nbsp;&#8211; ou seja, em 90% do per\u00edodo analisado, o sistema \u00e9 capaz de atender \u00e0s demandas. Nesse modelo, falhas de atendimento devem ocorrer em 1 ano a cada 10 anos.&nbsp; S\u00f3 estudos t\u00e9cnicos podem definir se uma nova interven\u00e7\u00e3o compensa, no contexto das bacias hidrogr\u00e1ficas onde ela pode ser inserida. Portanto, prospecta o cientista-chefe, \u00e9 preciso buscar novas fontes de abastecimento, seja atrav\u00e9s de transposi\u00e7\u00f5es de bacia, dessaliniza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do mar ou reuso da \u00e1gua.&nbsp; \u201cCada gota de \u00e1gua que a popula\u00e7\u00e3o economiza \u00e9 uma gota de \u00e1gua que fica&nbsp;dispon\u00edvel para outro uso,&nbsp;para o crescimento da popula\u00e7\u00e3o ou para o uso produtivo. Essa a\u00e7\u00e3o de aumentar a efici\u00eancia \u00e9 importante, at\u00e9 como sendo uma possibilidade de a gente ampliar os usos, os benef\u00edcios econ\u00f4micos, associado a essa quest\u00e3o da \u00e1gua\u201d, ressalta. Para 2024, a Lei Or\u00e7ament\u00e1ria Anual (LOA) do Estado do Cear\u00e1 prev\u00ea recursos para a constru\u00e7\u00e3o de oito barragens: A\u00e7ude em Fortaleza? Em junho de 2017, foi inaugurada a&nbsp;barragem do Rio Coc\u00f3, em Fortaleza, cuja principal fun\u00e7\u00e3o \u00e9 reter o excedente de \u00e1gua nos per\u00edodos chuvosos e fazer o controle da vaz\u00e3o do rio para evitar alagamentos. A barragem tem capacidade m\u00e1xima de 6,4 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de \u00e1gua, que eventualmente pode&nbsp;servir a m\u00faltiplos usos, incluindo abastecimento. Atualmente, a Capital \u00e9 assistida pelo complexo formado pelos a\u00e7udes Gavi\u00e3o, Riach\u00e3o, Pacoti e Pacajus. Com bons volumes, esse sistema d\u00e1 autonomia de abastecimento da Regi\u00e3o Metropolitana de Fortaleza sem a necessidade de transfer\u00eancia das&nbsp;\u00e1guas do a\u00e7ude Castanh\u00e3o,&nbsp;conforme a Secretaria dos Recursos H\u00eddricos (SRH). Mas, se todo ano a Capital \u00e9 banhada por fortes chuvas durante toda a quadra, n\u00e3o seria mais vantajoso receber mais a\u00e7udes para aproveitar esse potencial? Segundo o cientista-chefe, n\u00e3o. Assis ilustra:&nbsp; o munic\u00edpio de Fortaleza tem uma \u00e1rea de 315 km\u00b2. Quando o Castanh\u00e3o est\u00e1 cheio, a \u00e1rea do espelho d\u2019\u00e1gua chega a 300 km\u00b2. Ou seja, \u201ca nossa \u00e1rea aqui (em Fortaleza)&nbsp;n\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea t\u00e3o significativa&nbsp;para captar um volume de \u00e1gua muito grande\u201d.&nbsp; Uma das possibilidades, indica ele, seria fomentar uma melhor gest\u00e3o de \u00e1guas urbanas, envolvendo os sistemas de drenagem urbana e de esgoto, a rede de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e a gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, de uma forma mais integrada, \u201cpara evitar a polui\u00e7\u00e3o dos nossos corpos d&#8217;\u00e1gua, mas tamb\u00e9m at\u00e9 ativar esse potencial, at\u00e9 utilizando \u00e1gua de chuva e cisternas urbanas\u201d.&nbsp; Contudo, segundo Assis, esse \u00e9 um modelo mais caro e nem responde a todas as demandas que a cidade tem. A busca por \u00e1guas subterr\u00e2neas tamb\u00e9m n\u00e3o daria conta dessa necessidade: \u201ca gente deixou aqui como sendo uma demanda mais estrat\u00e9gica, porque nosso aqu\u00edfero sedimentar \u00e9 relativamente pequeno. De forma complementar, ele pode suprir algumas localidades, mas fica mais como uma reserva estrat\u00e9gica\u201d.&nbsp; Planos de Bacias Atualmente, as reservas h\u00eddricas do Cear\u00e1 ultrapassaram a marca de&nbsp;54,4% da capacidade total&nbsp;do Estado, segundo o Portal Hidrol\u00f3gico. Essa \u00e9 a maior reserva armazenada desde outubro de 2012. O n\u00famero de a\u00e7udes sangrando simultaneamente tamb\u00e9m continua a aumentar, e j\u00e1 atingiu um total de 69 reservat\u00f3rios vertendo. O volume total \u00e9 reflexo dos bons aportes nas bacias hidrogr\u00e1ficas do Estado. As regi\u00f5es do Acara\u00fa, Corea\u00fa, Litoral, Metropolitana, Serra da Ibiapaba, Salgado e Baixo Jaguaribe est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o \u201cmuito confort\u00e1vel\u201d, com volumes acima de 70%. J\u00e1 as regi\u00f5es do Curu e Alto Jaguaribe est\u00e3o na zona \u201cconfort\u00e1vel\u201d, com mais de 50% das reservas. Para fornecer um diagn\u00f3stico completo, um progn\u00f3stico e um planejamento das a\u00e7\u00f5es a serem implementadas em cada uma das 12 regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas do Cear\u00e1, foram lan\u00e7ados os Planos de Recursos H\u00eddricos na \u00faltima semana. Segundo Jo\u00e3o L\u00facio Farias, diretor de planejamento da Companhia de Gest\u00e3o dos Recursos H\u00eddricos (Cogerh), os principais pontos priorit\u00e1rios em comum entre os planos s\u00e3o a\u00e7\u00f5es ambientais voltadas para a preserva\u00e7\u00e3o das bacias e&nbsp;a\u00e7\u00f5es de infraestrutura,&nbsp;como a constru\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios ou de adutoras.&nbsp; Sobre a regi\u00e3o de Crate\u00fas, principal afetada pela baixa reserva h\u00eddrica hoje, ele afirma que o Estado tem expectativas de melhorar a oferta de \u00e1gua por meio do a\u00e7ude Fronteiras, \u201cque vai duplicar o volume de \u00e1gua na bacia\u201d.&nbsp; Para o diretor,&nbsp;a \u00faltima seca (2012-2018)&nbsp;permitiu a cria\u00e7\u00e3o de um grupo de acompanhamento e implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es para a conviv\u00eancia com a seca; a constru\u00e7\u00e3o de adutoras para melhorar a distribui\u00e7\u00e3o; a perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os para dar maior suporte aos munic\u00edpios; e a implementa\u00e7\u00e3o do projeto Malha D&#8217;\u00e1gua, que est\u00e1 na etapa de implementa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1394,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[32,10,35],"tags":[],"class_list":["post-1393","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cientista-chefe-recursos-hidricos","category-noticias","category-planos-de-recursos-hidricos-das-regioes-hidrograficas-do-ceara"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/cepas.ufc.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/cogerh.jpeg?fit=1161%2C653&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cepas.ufc.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cepas.ufc.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cepas.ufc.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cepas.ufc.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cepas.ufc.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1393"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cepas.ufc.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1393\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1421,"href":"https:\/\/cepas.ufc.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1393\/revisions\/1421"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cepas.ufc.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cepas.ufc.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cepas.ufc.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cepas.ufc.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}